De volta ao país do futuro
SÉRGIO MALBERGIER - Viver fora do Brasil antigamente era muito diferente de viver fora do Brasil hoje.
Vivi fora do Brasil por um ano nos anos 1980 e um ano nos anos 1990. As comunicações eram precárias: não havia Skype, e-mail, internet ou celular. Escrevíamos cartas!
Perguntávamos uma coisa numa semana e recebíamos a resposta duas semanas depois, em letra nem sempre compreensível. Enquanto hoje vemos o Jornal Nacional poucas horas depois de ele ir ao ar, antes, uma revista brasileira, qualquer que fosse, circulava meses de mão em mão como uma preciosidade.
Vivíamos como verdadeiros Fred Flintstones.
A sensação da distância era muito maior, uma distância que mistificava um país atrasado, sem oportunidades, de futuro duvidoso. O Brasil parecia muito melhor quando estávamos fora. E o exterior parecia muito melhor quando estávamos dentro.
Hoje, está tudo mais parecido, o dentro e o fora pasteurizados pela globalização e pela comunicação total. Em Vancouver ou em São Paulo, vemos quase as mesmas coisas, temos quase as mesmas coisas.
Mas há uma coisa aqui, no Brasil, que não dá para sentir daí: o brilho nos olhos das pessoas. Não que estejam todos bem, longe disso. Mas, desde que Lula, pai dos pobres e mãe dos ricos, fechou o consenso nacional em torno do capitalismo, não há região ou classe social do Brasil que não esteja melhor, que não veja para seus filhos um país melhor.
Por isso, o que mais mudou para quem vive fora do Brasil não é a vida fora do Brasil, mas o Brasil para o qual voltar.
Prepare-se.
Comentários
Postar Comentário