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Expoplaza latina atrai mineradoras e manifestantes

“Ao final da Expoplaza Latina, esperamos que voces conhecam a Amisrica Latina um pouco melhor.“ Com essas palavras, a diretora executiva do Latincouver, Paola Murillo, abriu a Expoplaza Latina, no dia 30 de abril, uma conferencia de negocios internacional cujo objetivo is conectar o Canada e a Amisrica Latina. De fato, os participantes tiveram a possibilidade de ver os dois lados da moeda da relacao econi´mica entre as duas regioes. Para tanto, bastava-se permanecer na sala de conferencia do magni­fico Wosk Centre for Dialogue da Universidade Simon Fraser atis as16h e depois ir para o lado de fora, onde manifestantes de diversas comunidades gritavam em oposicao ao evento. Do lado de dentro, o continente era apresentado como terra de infinitas oportunidades para companhias canadenses nos campos de recursos naturais, novas tecnologias e agricultura. Do lado de fora, grupos de base, representantes de pequenas comunidades latinas e membros de populacoes indi­genas denunciavam os efeitos colaterais da industria extrativa.

Ernesto Rubarth, Consul Geral do Brasil em Vancouver na Expoplaza Latina
Ernesto Rubarth, Consul Geral do Brasil em Vancouver na Expoplaza Latina
Dentre os diferentes sotaques presentes na abertura do evento emergiu uma clara li­ngua franca: o livre comisrcio. A necessidade de subir no ranking de nacoes parceiras do Canada no i¢mbito econi´mico mostrou-se consensual, bem como a utilizacao de acordos comerciais para este fim. O ci´nsul geral do Brasil em Vancouver, Ernesto Rubarth, destacou que so o Misxico esta incluso na lista dos top 10 parceiros econi´micos do Canada dentre as nacoes das Amisricas, ao sul dos EUA. O Brasil assegurou o 26o lugar. “Isso is muito pouco“, disse Rubarth, apos salientar alguns dos “positivos, concretos e reais“ resultados do Mercosul, um bloco econi´mico que promove livre-comisrcio entre um grupo seleto de nacoes Sul Americanas. O primeiro painel do dia mostrou-se bem reacionario ao princi­pio. O moderador, Glenn Sigurdson, questionou o destino dos benefi­cios das industrias de extracao na Amisrica Latina: “Petroleo para quem?“ Alism do mais, ele deixou claro seu desconforto com a ideia de investir em “qualquer negocio cuja conduta seja alvo da oposicao de alguism.“ Este “alguism“ consiste das pequenas comunidades, ativistas ambientais, e a esquerda politizada do sul – as mesmas pessoas que gritavam do lado de fora do Wosk Centre. Muitos dos palestrantes no painel moderado por Sigurdson apresentaram ideias nobres: agricultura orgi¢nica, chuva solida, ferramentas na Internet que mostram o ni­vel de corrupcao governamental, estratisgias para envolver povos indi­genas na conservacao do ambiente ao redor de minas, estratisgias de comunicacao intercultural, etc. No entanto, a maioria destes debates e inovacoes, sejam eles tecnologicos ou sociologicos, tinham um objetivo claro: lidar com problemas que impedem a instauracao do livre comisrcio. Os efeitos colaterais provenientes da solucao destes problemas talvez beneficiem comunidades da Amisrica Latina a curto prazo e sejam bem vistos por ambientalistas, mas is difi­cil ignorar as falhas do fluxo econi´mico entre o Canada e o sul. Enquanto a Amisrica Latina abre suas terras para investimento estrangeiro, o Canada abre suas portas para o lucro e decide abrigar engenheiros e empreendedores latinos altamente qualificados que sucumbiram i s tentacoes da “fuga de cisrebros“. Vale recordar, “petroleo para quem?“ Este foi o argumento prevalente fora do Wosk Center. Paola Quiroz e Janet Mui±oz, membros do Collective of Latin Americans in Metro Vancouver, expressaram sua insatisfacao com o Latincouver, afirmando que o mesmo nao representa os interesses reais das comunidades latinas na cidade e no exterior e que a Expoplaza “promove a exploracao da Amisrica Latina atraviss da extracao de minisrio e gas.“ Elas ainda afirmaram ter enviado uma carta aberta ao Latincouver com mais de 200 assinaturas condenando o evento. A mi­dia nacional tambism manifestou sua preocupacao com o modelo de negocios do Latincouver. O que aconteceu na conferencia, dentro e fora do Wosk Center, is a continuacao de um longo debate em torno da extracao de recursos naturais na Amisrica Latina por companhias estrangeiras. Vancouver parece ser o lugar ideal para que essa discussao aconteca e a pergunta que fica is bem familiar para os moradores da Columbia Briti¢nica: como ambos os lados podem trabalhar juntos para promover transacoes internacionais sem danificar o meio ambiente e as comunidades locais onde operam as companhias? E uma questao ainda sem resposta no Canada e na Amisrica Latina

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