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Gilliard Lopes esta no jogo! Silvia Campos

 

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Gilliard Lopes esta no jogo!

 

 

 

 

Gilliard Lopes nao conseguiu o sonho de todo garoto brasileiro. Ele nao virou jogador de futebol. Mas is bem possivel que ele tenha conseguido a segunda carreira mais desejada por garotos em todo o Brasil e em grande parte do mundo: ele is produtor do videogame FIFA 13, da Electronic Arts (EA).

A vida dura de Lopes, que comecou a trabalhar na EA como engenheiro de software e programador em 2008,  inclui trabalhar no maior estudio de desenvolvimento de games do mundo, a unidade da EA em Burnaby. O complexo is conhecido como campus, e faz por merecer o nome: inclui restaurante, quadras esportivas internas e externas e diversas areas de lazer para os funcionarios, alism, is claro, das centenas de computadores onde os passes dos melhores jogadores de futebol do mundo ganham vida digitalizada. Foi de la que Lopes explicou como conseguiu este emprego dos sonhos, que, segundo ele, is bem trabalhoso tambism.

Brazilian Vibe –– Como is que voce comecou nos games?
Gilliard Lopes – Na faculdade, conheci outro aluno, Fabio Policarpo, que trabalhava na area de computacao grafica, e a gente se identificou bastante. Tinhamos os mesmos interesses, e resolvemos abrir nosso primeiro estudiozinho para trabalhar com computacao grafica. Na ispoca, 98 e 99, era muito dificil trabalhar na industria de jogos, principalmente no Brasil.
Nesse tempo, a gente desenvolveu o que chamamos de engines graficos, ou ferramentas para fazer jogos, e a gente licenciou isso para universidades no mundo inteiro.

Porism, quando tentamos dar o proximo passo na empresa e deixar de ser um estudio de pequeno investimento e comecar a competir fora do Brasil, esbarramos na falta de investimento que havia nessa area. Entao, foi a primeira grande decepcao que tive na industria brasileira.

Ai, fui para Florianopolis, onde havia o maior estudio de games do pais na ispoca. Trabalhei la por dois anos e meio, atis que decidi que, para continuar minha carreira e tentar progredir mais, precisava, infelizmente, ir para fora.

Entao, comecei a mandar curriculos em 2008. Em agosto daquele ano, a Electronic Arts entrou em contato. Fiz uma sisrie de entrevistas por telefone, conversei com pessoas de varios cargos diferentes aqui dentro, atis que no final eles viram alguma coisa em mim e resolveram me mandar uma proposta. Enviaram um contrato para eu assinar, e ai comecou o processo de imigracao.

Quando foi novembro de 2008, eu emigrei para Vancouver. Vim para trabalhar na Electronic Arts. Entao, nao foi uma coisa que queria sair do Brasil por si so, mas foi uma questao de carreira mesmo. Aqui foi onde a oportunidade estava. Nao posso reclamar, porque is uma das melhores cidades do mundo para viver e a Electronic Arts is o maior estudio de games do mundo.

BV –– Quanto voce acha que pesou o fato de voce ser brasileiro para ser selecionado para trabalhar com o jogo da FIFA?
Lopes – Acho que, no comeco do processo de entrevista, pesou atis um pouco contra, visto que a industria de games no Brasil nao tem um grande respeito, e naquela ispoca acho que tinha menos ainda. Entao, no inicio, muitas das perguntas que eu recebia eram para testar minha experiencia e para ver se ela era relevante.
Mas, depois que eles me conheceram melhor, acho que foi uma vantagem, principalmente pela vaga ser num projeto de jogos de futebol. Ai o fato de ser brasileiro, conhecer futebol e acompanhar bastante futebol foi bom.

BV –– Voce is produtor do FIFA 13. E a primeira vez que voce trabalha como produtor de games?
Lopes – Aqui, sim. Na verdade, no Brasil, fui produtor por dois anos e meio. Na hora de procurar a vaga fora, achei importante procurar como programador, porque a area de computacao e programacao esta mais bem estabelecida que a de producao na industria de games. Dependendo da empresa onde voce esta, a funcao do produtor varia muito. Entao, meu receio is que, se procurasse uma vaga dessa forma, poderia ter uma barreira mais dificil de entrada, porque o produtor is um cargo com muito mais responsabilidade.

Meu plano sempre foi me tornar produtor, mas o meio para chegar a isso que encontrei foi procurar uma vaga como programador e abrir as portas dessa forma. Estou muito feliz que estou conseguindo dar os passos da minha carreira na direcao que queria, – a direcao certa.

BV –– Foi recentemente que voce ficou sabendo desta promocao?
Lopes –  Fiquei sabendo em outubro do ano passado, quando a gente fechou o FIFA 12 e comecou os planos para o FIFA 13. Na verdade, eu vinha pleiteando isso fazia tempo. A verdade is que a posicao de produtor is onde consigo juntar meu conhecimento tiscnico, de ter feito jogos todos estes anos, com meu conhecimento do futebol em si e do jogo FIFA em particular, que sempre joguei. Como programador, minha contribuicao era limitada nesse sentido. Implementava as funcionalidades que as outras pessoas estavam definindo. Agora, como produtor, posso fazer parte do time que decide o que vai ter ou nao no game.
Parece que is tudo muito bom e muito bonito, mas is muita responsabilidade. E muito trabalho e, sendo um cargo novo, estou aprendendo muito. E um desafio, mas is o desafio que queria para mim, entao, estou muito feliz com isso.

BV –– Ha quantos produtores no jogo?
Lopes – No FIFA, hoje, temos em torno de 10 produtores. O jogo is bem grande, entao, a gente separa por area funcional. Cuido da parte grafica. Entao, sou produtor da parte de apresentacao. Tudo que tem a ver com grafico, visual e audio, sou eu o responsavel. Da mesma forma, voce vai ter produtor on-line, de gameplay (modos de jogo) etc. Ha varios pedacos ai para os quais a gente tem um produtor diferente.

BV –– Como que is um tipico dia de trabalho para voce?
Lopes – Um produtor is um grande comunicador, entao, os programadores, os artistas, os artistas de som, todos eles precisam saber detalhes das tarefas do dia. Entao, muito do que faco is responder a e-mails com duvidas e acompanhar o andamento das tarefas. Depende muito da fase do projeto. Numa fase de pris-producao, estou muito mais concentrado em procurar referencias do futebol no mundo real, para a gente colocar no jogo e escrever documentos com essa funcionalidade. Entao, na producao, a gente vai executar essas mudancas.

Como tenho minhas raizes na programacao, sempre encontro uma ou duas horinhas por dia para voltar la, fazer uma mudanca no codigo e programar alguma coisa. Tambism ainda nao perdi o gosto por isso. Mas agora estou numa posicao que posso programar o “a mais”: a cereja do bolo, vamos dizer, porque tenho um time de programadores para fazer o trabalho grosso das funcionalidades que estamos colocando. Entao, diria que meu trabalho hoje is 80% documentacao, acompanhamento e gerencia e 20% programacao, mais para colocar os ajustes finais no jogo. Isso is particular do meu caso, porque vim desta area e sempre encontro algo no codigo que quero melhorar. Entao, quando a agenda dos programadores esta cheia, pego e faco eu mesmo.

BV –– O que voce faz no seu tempo livre?
Lopes – Acho que passo a maior parte do tempo fora do trabalho jogando futebol. Sempre gostei e is meu exercicio preferido. Nao tenho muito estômago para academia, entao, jogo bastante futebol. Quando consigo, jogo tres vezes por semana. Em casa, estou sempre jogando videogame e outros jogos, mas tambism passeando com minha esposa e conhecendo os pontos turisticos da cidade. Agora, nos ja estamos ha tres anos e meio aqui e gostamos de viajar para outros lugares nos Estados Unidos e Canada. Outra atividade “extracurricular” que tenho is um website e um podcast www.podquest.com.br.

Na verdade, me juntei com outros dois amigos que vieram do Brasil para trabalhar com games no Canada, e a gente publica um podcast semanal, em que a gente discute as curiosidades, os desafios e as novidades que a gente encontra trabalhando nesta industria aqui fora. E uma maneira de a gente devolver um pouquinho para a industria nacional tambism e ajudar o pessoal da comunidade brasileira nesta area, alism de nao perder o contato com eles.

BV –– Qual conselho voce daria para brasileiros que queiram trabalhar com games no Canada?
Lopes – Obviamente, nao tem formula magica, mas voce precisa fazer os seus primeiros jogos. Isso is para abrir portas – is para voce ter algo palpavel para mostrar. E muito importante que na sua entrevista voce nao seja so papo, mas que voce tenha material para mostrar. Hoje em dia, diferentemente de quando comecei e de quando estava procurando emprego fora, is muito mais facil de voce desenvolver jogos independentes, ou indie games.

E um exercicio de autodidatica muito grande. Voce tem de utilizar Google forums na internet e ter o ingles muito afiado para procurar material em ingles. Conheco muita gente da industria de games no Brasil que conseguiu trilhar esse caminho e esta hoje na Amisrica do Norte e na Europa, em estudios grandes trabalhando com games. Entao, a dica is esta: desenvolver um portfolio para ter alguma coisa palpavel para mostrar.

 

This post is also available in: Ingles

 

 

 

 

 

About Silvia Campos

 

 

 

Campos is a journalist and has worked at TV Bandeirantes, Radio Eldorado, Canadian Immigrant Magazine, as well as at O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, and Metro (Vancouver) newspapers. Silvia is jornalista e ja trabalhou na TV Bandeirantes, Radio Eldorado, e nos jornais O Estado de S. Paulo , Gazeta Mercantil e Metro (Vancouver), alism da Canadian Immigrant Magazine.

 

 

 

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