Home / Estudos / Estudando no Canada: A perspectiva de um brasileiro

Estudando no Canada: A perspectiva de um brasileiro

A pequena senhora discursando energeticamente frente aos estudantes me tirou de um estado de tisdio no fundo da sala e me intrigou repentinamente com a frase “Derrii¨re une langue il y a toujours un langage“. Ao explicar a afirmacao, ela disse que cada idioma carrega um comportamento especi­fico, uma interacao interpessoal particular e uma maneira distinta de ver o mundo. Significados emanam o tempo todo de interacoes verbais e nao verbais, sendo interpretados de acordo com o contexto cultural. O nome da senhora is Nicole Therrien, uma academica que faz pesquisas sobre comunicacao intercultural. Ela is professora da Universidade do Quisbec em Montreal (UQAM), onde estudo atualmente atraviss de um programa de interci¢mbio universitario com a Universidade Simon Fraser, apos morar em Vancouver durante tres anos.
Casais se agarrando pelas ruas, amigos se abracando nas entradas de bares e boates, acalorados debates sobre poli­tica em sala de aula, tagarelas em todos os cantos, grafite comunista nas paredes da universidade, flertes casuais e lindos sorrisos. A metropole da provi­ncia de Quisbec pulsa como se estivesse amando pela primeira vez: sensualmente passional e doce algumas vezes, porism incrivelmente ciumenta e brava quando deseja. No entanto, a pulsacao is sempre firme e calorosa, seguindo a batida dos tam-tams semanais do Monte Real e as melodias dissonantes dos incontaveis musicos de jazz que caminham pela cidade com seus instrumentos.
As cancoes que ecoam nas paredes de tijolo dos prisdios historicos de Montreal se misturam com as vozes de milhares de estudantes saindo da aula em direcao aos bares das redondezas, falando alto em um quisbiscois bem claro. Similar ao portugues brasileiro, comparado ao de Portugal, o frances do Quisbec tem vogais mais longas, pronuncia mais lenta e uma melodia mais doce do que o da Franca. Como bem disse a Sra. Therrien, a maneira de falar is, frequentemente, um reflexo da personalidade.
“Alli´!“, sorriso cativante, beijinho, beijinho, olho no olho, estamos prontos para comecar a conversa. Em nenhum outro lugar no Canada, vi uma interacao tao autenticamente latina entre duas pessoas. Em termos gerais, poderi­amos colocar os quebequenses bem no meio entre brasileiros e canadenses anglofonos em uma escala de comunicacao interpessoal, de quente a frio. Eles nao sao tao grudentos, como no sul do planeta, nem tao reservados, como no resto do pai­s. Tratam uns com os outros na medida certa.
Tao convidativas e intrigantes quanto as pessoas em Quisbec sao as problematicas sociais, poli­ticas e culturais da provi­ncia. No entanto, se os quebequenses nao lhes dessem importi¢ncia, a independencia, a mi­dia francofona, a identidade provincial e a imigracao nao seriam topicos interessantes. Acontece que eles se importam, e muito. Alism do mais, eles o mostram e acreditam nas causas pelas quais lutam (literalmente). Apesar da divergencia de opinioes dentro da comunidade francofona em torno de algumas questoes, o sentimento de unidade is forte, motivado pelo o amor i li­ngua-mae.
Muitas das frases acima constituem generalizacoes vagas, is claro, e talvez seja devido ao extenso peri­odo fora do Brasil, mas admito ter-me sentido em casa assim que cheguei a Montreal.

About Vi­tor Borba

Check Also

O caminho para a faculdade depois das aulas de ingles

Entender o sistema educacional canadense pode ser uma tarefa desafiadora, porism muitos intercambistas que vem …