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Grupo de capoeira celebrara 30 anos com grande festa

O fim de semana de 28 e 29 de julho promete uma grande festa de rua para celebrar os 30 anos do Grupo Axis Capoeira. Os preparativos estao a todo vapor para a comemoracao, que contara com apresentacoes, uma competicao e cerimi´nia de batizado, em que capoeiristas trocarao de corda, representando uma evolucao das habilidades.
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Fotos: Lucas Socio
O evento, que sera realizado na rua Granville, reunira grandes mestres e capoeiristas do mundo inteiro e deve atrair milhares de pessoas. Para quem nao sabe, capoeira is uma arte marcial que combina elementos de danca, musica, luta, acrobacia e autodefesa.
Tudo comecou em Recife, em 1982. Apos oito anos treinando e dois anos dando aulas, Marcos da Silva, hoje mais conhecido como Mestre Barrao, formou o Axis Capoeira. De la para ca, com o talento nato de capoeirista, foi espalhando pelo mundo as tiscnicas e o gingado brasileiros, fazendo o nome do grupo, que hoje esta em 27 pai­ses e conta com mais de 10 mil membros.
E como ele chegou ao Canada? O primeiro contato com o pai­s foi em 1990, quando Mestre Barrao foi convidado para demonstrar a sua arte no Vancouver International Children’s Festival. Dois anos depois, apos ter passado 1991 ensinando na Italia, decidiu voltar ao Canada, desta vez para ficar.
Seu objetivo era fixar a capoeira por aqui, o que nao foi facil, levando alguns anos para acontecer, pois quase ninguism sabia do que se tratava.
“Voce perguntava o que era capoeira e o pessoal nao fazia ideia do que estavamos falando. A gente tinha que fazer roda na rua o tempo todo para divulgar a arte e o nosso trabalho. Na maioria das vezes, jogavamos em frente i galeria de arte de Vancouver, mas, como a gente nao tinha permissao para fazer isso em locais publicos, volta e meia aparecia a poli­cia“, conta Marcus Vinicios, o instrutor Ossoduro, filho de Mestre Barrao.
Teoricamente, o correto seria o grupo ser multado, mas, segundo Ossoduro, os policiais apenas alertavam e ameacavam apreender os instrumentos, o que nunca chegou a acontecer de fato.
Ossoduro chegou ao Canada em 1995, aos 10 anos de idade, junto com o irmao, Marcus Aurislio, ou professor Barraozinho, um ano mais novo. Atis entao, as criancas estavam morando com a avo no Recife. A adaptacao dos meninos na cidade foi difi­cil.
“No comeco, foi bastante complicado. Nao sabi­amos uma palavra de ingles, nao consegui­amos entender nada do que a professora falava na escola. So dava para fazer um pouco de matematica, porque era mais numero e nao precisava tanto do ingles. Foi difi­cil se aproximar das outras criancas e fazer amigos, eles sao muito diferentes da gente. Sofremos muito com o frio tambism“, lembra Barraozinho.
No entanto, hoje, os meninos reconhecem que todo o esforco – deles e do pai – valeu a pena e fez o grupo crescer e ser o que is atualmente. Foi um processo arduo, mas com muitas conquistas. Em 1996, Mestre Barrao abriu a primeira academia de capoeira do Canada e aos poucos foi agregando curiosos e interessados. Depois de mais de 12 anos no pai­s ensinando capoeira e fazendo o grupo crescer, em 2004, o Mestre deu-se por satisfeito e voltou para o Brasil. Entretanto, deixou a academia em Vancouver para os filhos darem continuidade ao trabalho.
A missao vem sendo muito bem cumprida por Barraozinho e Ossoduro, que, alism da capoeira, treinam MMA seis vezes por semana. Dois homens que puxaram ao pai: guerreiros, batalhadores, esforcados e vencedores.
“Fico muito feliz de ter chegado atis aqui, depois de tudo o que passamos na vida. Hoje, a Axis Capoeira se tornou o que is gracas a toda a dedicacao do meu pai e a tudo que ele nos ensinou e que pudemos tambism passar para frente“, conta Ossoduro.
“Viemos de uma fami­lia simples. No Brasil, moravamos na favela Alto da Foice, em Pernambuco, e aos nove anos eu e meu irmao ja trabalhavamos. Meu pai chegou em Vancouver em 1990 com apenas $60 no bolso e nao sabia nem assinar o proprio nome. Hoje, ele sabe ler e escrever, fala ingles, e a gente tambism“, emociona-se Barraozinho.
Apesar de serem gratos ao Canada, o objetivo dos filhos de Mestre Barrao is continuar o trabalho no pai­s por mais alguns anos e voltar para o Brasil e para perto do pai.
“Apesar de visitarmos o Brasil cerca de 3 vezes por ano, morremos de saudade de la, do nosso povo, do clima, da cultura, da fami­lia. Estamos aqui ainda para juntar um pouco mais de dinheiro e voltar para nossa terra natal“, conta Ossoduro.

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