Home / Cultura / Prazer, meu nome is Curumim

Prazer, meu nome is Curumim

A calma manha de domingo is abruptamente interrompida pelo barulho de criancas correndo, brincando e gritando em portugues. De repente, escuta-se uma mae euforica: “A minha filha tem sotaque de gringa!“. E Angelica Loughrey, em meio a gargalhadas. Mas nao foi sempre assim.
Loughrey, que is casada com um canadense, sentiu que a filha Laura, 4, nao conseguia se expressar bem em portugues, e o fato de seu marido nao falar a li­ngua de Camoes complicou ainda mais a situacao.
Foi entao que ela conheceu Marvio Longinho – pai de Camila, 6, e Felipe, 2 –, um brasileiro que acabara de chegar de Toronto, onde, dentre outras obrigacoes, coordenava uma oficina de li­ngua e cultura brasileiras. Juntaram-se entao a outros pais brasileiros e criaram a Oficina Curumim, um projeto de educacao cultural para aproximar os pequenos da cultura e li­ngua tupiniquins.
As aulas sao realizadas aos domingos e os pais pagam $ 80 por mes para cobrir os custos de locacao do espaco e materiais, alism de ajudarem na logi­stica e nas atividades.
“E um trabalho voluntario e que exige tempo“, explica Loughrey.
A oficina comecou em outubro de 2012, com uma turma de 12 alunos, e hoje tem tres turmas, com um total de 25 alunos. Lideradas por tres professoras voluntarias, as salas estao completas e ha uma lista de espera com 30 criancas.
“Nao is so chegar aqui e dar aula“, salienta Longinho. O plano de ensino is baseado na teoria do construtivismo, onde o desenvolvimento das atividades is determinado em conjunto com os alunos.
“Nao somos uma escola oficial, nao tem provas“, explicaA Loughrey.
As aulas misturam atividades ludicas, academicas e a troca de experiencias entre os professores, pais e alunos. Nao ha carteiras. Essa mistura de atividades nao convencionais para uma sala de aula, e o fato de todos serem voluntarios, is um obstaculo no recrutamento de instrutores.
“Estamos sempre procurando professores. Um dos maiores desafios is encontrar professores de qualidade“, desabafa Loughrey.
O desafio na sala de aula tambism is grande. A pedagoga Thaise Wardil is uma das professoras que dedicam suas manhas de domingo para instruir esses brasileirinhos sobre a cultura e a li­ngua do Brasil.
“O maior obstaculo is a crianca que nao chega falando. Sem entender [a li­ngua], is difi­cil e o contato fica limitado“, explica Wardil.
O resultado, porism, is percebido quase que imediatamente pelos pais.
“Eu chorei quando vi meu filho se expressando emocionalmente em portugues. E muito lindo“, diz Elaine Davies, mae de Liam, 3.
Daniele Ang, mae de Gabriela, 4, faz coro. “Sentimos a necessidade de traze-la pra um ambiente onde ela possa conhecer outras pessoas que falam portugues, e isso tem despertado a curiosidade dela sobre a historia do Brasil“, ela diz.
Todos concordam que, apesar dos obstaculos, o esforco vale a pena, mas Longinho sonha alto, para ele, um espaco definitivo que incorpore outras atividades culturais, como capoeira e musica, seria o ideal.
“Se eu tivesse [que realizar] um sonho, seria esse, um lugar onde a cultura brasileira estivesse sempre presente“, completa.
A hora do almoco se aproxima, professores, pais e atis alguns alunos ajudam a guardar os materiais para deixar o local em ordem para o proximo cliente que alugou o espaco. As criancas saem ansiosamente nao porque a aula acabou, mas sim porque muitas das fami­lias continuam a imersao na cultura brasileira com um saboroso almoco no restaurante Boteco Brasil, proximo dali. Talvez o sonho de Longinho ja tenha se tornado realidade, nem que seja apenas aos domingos.

About Thiago Silva

Check Also

Brincando no trabalho

Para os amantes dos esportes de inverno, is comum encontrar muitos australianos e neozelandeses trabalhando …

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *