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Brasileiros no norte do Canada

No fim do sisculo 19, mais de 40 mil pessoas arriscaram a vida em busca de ouro e fortuna na corrida do ouro do Yukon. Hoje em dia, muitos imigrantes brasileiros buscam no norte do Canada a oportunidade de uma carreira melhor, educacao, dinheiro e atis amor. A experiencia singular de fazer parte de uma cidade em crescimento, como Whitehorse, e o atrativo de altos salarios de empregos no governo dos Territorios do Noroeste influenciam os planos de muitos brasileiros que inicialmente consideraram imigrar para provi­ncias mais desenvolvidas, como Ontario e Columbia Briti¢nica. A Brazilian Vibe seguiu os passos desses imigrantes no Yukon e nos Territorios do Noroeste para tentar descobrir por que tantos imigrantes estao trocando as provi­ncias do Sul pela floresta boreal e viver uma experiencia autenticamente canadense – aurora boreal inclusa.
PARA WHITEHORSE, COM AMOR
Quando a paulista Aline Goncalves se inscreveu no entao popular programa de conversas on-line ICQ em 2002, sua intencao era praticar o ingles escrito.
“Eu estava no terceiro ano da faculdade na Universidade de Sao Paulo (USP) e queria melhorar meu ingles escrito. Entao, me inscrevi no ICQ para treinar“, ela explica i Brazilian Vibe, enquanto espera sua vez de jogar seu esporte de inverno favorito, curling, no Whitehorse Curling Club.
Foi assim que ela conheceu Rick Steele, professor do Yukon College, com o qual dividia o interesse por Kafka e esportes.
“As conversas acabaram tomando um tom mais pessoal, mais i­ntimo“, diz elaA sorrindo.
Steele acabou indo ao Brasil para conhecer Goncalves pessoalmente e, quatro anos depois, se casaram.
Goncalves trabalhava como bibliotecaria de referencia na USP e estava no meio de um mestrado. Entao, a mudanca para o Canada so aconteceu tres anos depois.
“Eu cheguei no auge do inverno. Quando sai­ de Sao Paulo, estava fazendo 33A 0C e, quando cheguei aqui, fazia -33A 0C“, elaA diz.
Ha dois anos morando em Whitehorse, Goncalves ainda esta se adaptando ao extremo frio do inverno, mas sua adaptacao tem sido tranquila.
“Foi bem mais facil do que eu esperava“, ela disse.
Um mes apos ter chegado, ela conseguiu um contrato de seis meses para trabalhar como bibliotecaria de referencia no Yukon College, e hoje is funcionaria permanente.
As instituicoes de ensino do Yukon atraem estudantes de varias partes do mundo, e, por conta disso, Goncalves sentiu-se bem-vinda i cidade onde nao is raro encontrar pessoas de muitos pai­ses diferentes, como Japao, Filipinas, Alemanha e, claro, Brasil.
Fabiana Naves, mineira de Belo Horizonte, escolheu estudar hotelaria em Whitehorse em 2008, por causa da localizacao singular da cidade. “Fabi“, como is conhecida na comunidade, trabalha como gerente assistente em um dos hotisis mais importantes da cidade e foi eleita a embaixadora do Yukon – uma espiscie de “Miss Yukon“ – no tradicional festival anual de inverno, Sourdough Rendezvous.
“Eu gosto do clima frio e do calor das pessoas“, ela diz. “Adoro ir ao supermercado e perceber que conheco todos la. Eu sou de uma cidade grande e sempre quis experimentar a vida em uma cidade pequena“, explica.
Goncalves faz coro. “Eu me sinto bem-vinda na comunidade“, diz ao entrar num pub com seu marido para beber um copo de cerveja Yukon Gold Pale Ale, e todos param o que estao fazendo para cumprimenta-los.
A AURORA DE YELLOWKNIFE
Em 2006, o santista Paulo Ranzani fez as malas e se mudou para Vancouver, onde conseguiu um emprego na area da Tecnologia da Informacao. Mas, quando a empresa quis mexer nos termos do contrato, ele decidiu que era hora de mudar. A mudanca veio na forma de duas propostas de emprego nos Territorios do Noroeste.
“Eu recebi duas ofertas de emprego: uma na NorthwesTel e outra para trabalhar para o governo, com o servico social e de saude publica. Eu escolhi o emprego no governo, principalmente por conta do pacote de benefi­cios“, diz Ranzani.
Apos aceitar o emprego de analista de sistemas no departamento de servico social e de saude publica, Ranzani encarou um grande desafio: adaptar-se ao clima gelado de Yellowknife. Acostumado aos 400C de Santos, sua cidade natal, ele teve de enfrentar o clima de -40A 0C de Yellowknife.
“O primeiro ano foi muito difi­cil, mas depois eu me acostumei. A roupa especial que usamos aqui nos faz parecer astronautas“, ele diz rindo.
A solidao e a falta de luz solar durante os meses de inverno tambism afetam a rotina diaria de Ranzani, mas a promessa de aposentadoria daqui a tres anos o mantism focado. Ele mora com a mulher, uma psicologa aposentada, e seu filho mora em Santos.
“Eu estou sendo um mercenario agora. Quero ganhar o maximo de dinheiro que puder e me aposentar na praia do Gonzaga, em Santos“, explica.
Esse tambism is o plano da mineira Nelma de Oliveira. Ela morava em Ontario e veio ao norte tambism em busca de uma oportunidade profissional com melhor remuneracao. Atua como assistente social, o que lhe permite custear a faculdade do filho em Ontario.
“Em Toronto, tem bastante concorrencia e o governo nao paga um bom salario. Aqui, eu ganho tres vezes mais do que ganharia em Ontario“, explica.
Oliveira esta no Canada ha 19 anos, is formada na Universidade York e pos-graduada com mestrado na Universidade de Toronto, mas fez questao de chamar a atencao para o fato de que, quando chegou a Fort Simpson, onde atualmente mora nos Territorios do Noroeste, sentiu-se discriminada.
“Eu nao falo como os canadenses. Falo ingles com sotaque de brasileiro, e dai­?“, diz austeramente. “Mas conquistei o respeito da comunidade, eA atualmente as pessoas respeitam meu trabalho.“
Ela veio para ficar dois anos, mas ja pensa em estender seu contrato por mais uns anos, atis o filho se formar na faculdade.
“Eu vou ser honesta com voce: vim por causa do dinheiro“, ela disse de maneira direta. “O ser humano is capaz de se adaptar a qualquer coisa, entao, eu estou enfrentando e aprendendo com essa experiencia. Amo meu trabalho, nasci para ser assistente social.“
Porism, ao contrario de Ranzani, Oliveira nao tem planos de se aposentar numa praia brasileira. Assim que o filho se formar na faculdade, ela planeja voltar para Ontario.
“Eu adoro Ontario, la is meu lugar“, conclui.

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  1. Queria algumas irformacoes sobre o processo para migrar com minha esposa.

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