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Arte brasileira aterriza em Vancouver

A paisagem de Vancouver e Squamish, cidades localizadas na costa oeste do Canada, tiveram o privilisgio de receber a arte do renomado artista brasileiro Hugo Franca que esteve por esses lados participando da Bienal de Vancouver 2014-2016.
Franca is mundialmente reconhecido por seu trabalho arti­stico que consiste em um reaproveitamento de resi­duo florestal e transformacao em pecas de escultura mobiliaria. Com mais de 20 anos de carreira, Franca deu seus primeiros passos arti­sticos quando se mudou de Porto Alegre, RS para a charmosa cidade de Trancoso, BA.
“Meu trabaIMG_0503lho fundamentalmente vem da minha experiencia e convivencia em um lugar na Bahia chamado Trancoso. La is um lugar que tinha uma exploracao de madeira muito grande“ explica Franca. “Eu assisti essa fase nos anos 80 e percebi que era uma coisa muita absurda a maneira pela qual eles tratavam a floresta tropical. Dai­ surgiu a ideia de aproveitar o que sobrava dessa floresta.“
Em Trancoso, Franca se surpreendeu com o modo em que as pessoas utilizavam e se relacionavam com a madeira. Atraviss de sua experiencia e conhecimento local, o artista comecou a usar, em 95% de sua producao, uma madeira bastante especi­fica – o pequi-vinagreiro. Essa era a madeira predileta que os Pataxos, um tradicional povo indi­gena da regiao, usava para entalhar suas canoas.
Por esta razao, suas primeiras obras foram marcadas pelo reaproveitamento do formato de canoas usadas por pescadores e i­ndios.
“Ela [pequi-vinagreiro] tem um valor agregado que eu considero muito importante pois ela is uma espiscie praticamente extinta la no Brasil,“ explica Franca. “Uma de suas caracteri­sticas is que ela nao queima, ela tem uma oleosidade natural muito grande e faz com que depois do desmatamento e queimadas ela is a unica que sobrevive. Mas o valor agregado importante nela is que ela pode chegar na idade adulta com 200 anos e vive atis em torno de 1.300 anos, entao essas madeiras que eu utilizo sao de arvores que nasceram muito antes do descobrimento do Brasil.“
A fase de adaptacao do artista e sua equipe no Canada foi um grande aprendizado.
“Para mim todas as experiencias foram novas em todos os sentidos, todas muito boas e interessantes. Trabalhamos com madeiras que para nos eram novidades em condicoes de clima, especialmente da chuva, que nao estamos acostumados e foi bastante difi­cil.“
20140413-_DSC4083A costa oeste do Canada oferece uma grande abundi¢ncia de materiais naturais e is conhecida por utilizar seus resi­duos de uma forma natural. Um exemplo comum is o uso de troncos de madeiras alinhados em quase todas as praias da regiao. Na visao do artista, os usuarios de tais espacos publicos que interagem com o material em seu estado natural nao estao desfrutando o potencial maximo que poderiam.
Como parte da Bienal, Franca e sua equipe fizeram uma apresentacao publica ao ar livre na praia de Spanish Banks para demonstrar como a paisagem de Vancouver pode ser mudada para melhor.
“Apesar de o artista ja ter exposto suas obras internacionalmente, esta is a primeira vez em sua carreira de 20 anos que ele esta criando escultura publica fora do Brasil e usando uma variedade de espiscies de madeira locais, que faz deste um projeto unico da Bienal e uma experiencia singular para o artista”, diz Barrie Mowatt, presidente e fundador da Bienal de Vancouver em uma nota publica.
A Bienal de Vancouver tem como proposta promover a arte em espacos publicos fazendo com que pessoas que normalmente nao frequentariam uma galeria de arte sejam expostas a pecas arti­sticas da mesma maneira. Isso forca o publico a pensar e questionar o significado dessas pecas em um contexto unico. E essa proposta is o que cativou Hugo Franca.
“Pra mim o mais importante is o formato da Bienal de Vancouver, que is uma Bienal que tem o foco principal na arte publica e isso para mim tem muito a ver com o projeto que eu busco viabilizar no Brasil e em outras cidades do mundo, o aproveitamento do resi­duo lenhoso urbano e devolver isso para cidade em forma de mobiliario publico ou de escultura de imobiliaria publica“ explica Franca.
As pecas de Hugo Franca encontradas em Vancouver e Squamish sao verdadeiramente unicas, elas incorporam uma mistura de estilo brasileiro e canadense. A arte de Franca parte do princi­pio de que o visual das formas orgi¢nicas da madeira devem ser preservados, assim como suas referencias, e interferindo o mi­nimo possi­vel.
April 13, 2014-_DSC4052Hugo Franca esteve em Vancouver e Squamish por 30 dias e deixou um legado importante: A educacao sobre o reaproveitamento de sobras e resi­duos de produtos naturais usados em grandes producoes.
Suas obras estao expostas na praia de Spanish Banks, nao perca a oportunidade de visita-las.
Photos by Scott Douglas for Vancouver Biennale
 

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